sábado, 24 de janeiro de 2009

MAS O POETA MORA A SÓS NUMA CASA DE ÁGUA


Um sol de gelo paira a Casa de água:
o que eu adoro é ninfa imaterial,
agreste brancura da flor de mandacaru,
dançar na Casa de água de Georgia O’Keeffe
ou sonhar o pescoço de Vishnu,
depois rabiscar águas com barcas brancas.

O sonho humano se abrupta nos escolhos.

Georgia O’Keeffe lambe, com língua de vaca,
o sal do gramofone.

No seu túmulo, grafado em pedra, inscreve-se:
eu fui uma Casa de água.

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